terça-feira, novembro 10, 2009


o anjo


Diz ser um Anjo na terra. Apareceu como por encanto, nasceu do nada, terá nascido!? Travou batalhas invisíveis, com um demónio desconhecido… Espada de madeira, escudo de amolgada lata, desferiu golpes no ar, numa demanda agora incompleta. Poisa pois, a espada e o escudo, exausto e no fim do dia unge os restos da batalha com água fria. Cai a noite no fim da rua, onde já não há mais casas, num abrigo precário uma fogueira repõe o calor, é o descanso do guerreiro, por quem ninguém sente amor. Mas espera. Que estranho. Criaturas mil emergem da bruma, à tua procura aqui no teu canto. Olham te com ternura, e num gesto de puro carinho, dão te agasalho. Mas eis que chega um humano. Irritado corre comigo. Do nada torno me pária. Fico na margem. Mas eis que por fim, acordo! Era um sonho. E o louco. O anjo era …eu!